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FOCUSSOCIAL

Medir a Igualdade de Género

Educação, empoderamento político e participação económica são as três dimensões que constam do Índice de Igualdade de Género (GEI), divulgado pelo movimento Social Watch. De acordo com a classificação do GEI, nenhum dos 168 países avaliados atingiu um nível aceitável. Portugal, apesar de se encontrar acima da média europeia, está entre os países com uma classificação baixa, mas na Educação conseguiu uma nota melhor.

No que concerne à igualdade de género, Portugal ainda tem muito para fazer. «Apesar de estar acima da média europeia, está atrás dos países europeus com melhor desempenho. Está, por exemplo, longe da vizinha Espanha, encontrando-se, a este nível, no mesmo patamar praticado em países como Estónia, Letónia, Lituânia, Moldávia, Namíbia, Ruanda e, surpreendentemente, de França» revelou João José Fernandes, diretor executivo da Oikos, Cooperação e Desenvolvimento, no passado Dia Internacional da Mulher.

Esta classificação consta da publicação Gender Equity Index (GEI) deste ano. O GEI, índice de igualdade de género, foi divulgado pelo movimento Social Watch, representado, em Portugal, por aquela organização não-governamental.

Apresentado anualmente pelo Social Watch, o GEI mede o fosso existente entre mulheres e homens em três dimensões: educação, empoderamento político e participação económica, estabelecendo uma média das desigualdades entre mulheres e homens. Na educação, examina a disparidade de género existente no número de matrículas em todos os níveis do sistema de ensino e, no que reporta à participação económica – salário e emprego -, estima a proporção da desigualdade existente entre homens e mulheres. Já no empoderamento, o que está em causa é o fosso verificado no que respeita à detenção de cargos altamente qualificados, de assentos parlamentares e de posições executivas de topo.

Portugal, apesar de se encontrar acima da média europeia (73 pontos), está entre os países com uma classificação baixa, totalizando 77 pontos, na média aferida das três dimensões citadas. Contudo, está longe do desempenho de países como a Noruega (89 pontos), a Finlândia (88 pontos) e a Islândia (87 pontos). Encontra-se também abaixo de países como a Suécia, a Dinamarca, a Nova Zelândia, a Espanha, a Mongólia, todos acima dos 80 pontos, o que os coloca no nível médio.

Os resultados do GEI demonstram que a igualdade de género não está necessariamente dependente da riqueza do país. Portugal é mais rico do que o Ruanda e mais pobre do que a França, mas tem o mesmo grau de igualdade de género. Nas últimas décadas, o nosso país fez um progresso assinalável na escolarização e educação das mulheres. O desafio é, agora, o de desenvolver esforços para que um progresso semelhante seja alcançado na dimensão política e económica. Uma sociedade em crise – social, política e económica – precisa do apoio de todas e todos os seus cidadãos., defende João José Fernandes.

Os cinco níveis de classificação do GEI são: critico (critical), muito baixo (very low), baixo (low), médio (medium) e aceitável (acceptable). Note-se que nenhum país no mundo atingiu 90 pontos ou mais, na média final, significando que nenhum país atingiu um nível aceitável.

A única dimensão em que Portugal atinge um valor aceitável é na educação (99 pontos). Na participação económica e no empoderamento, o desempenho do país fica pelos 78 e 55 pontos, respetivamente. Ou seja, baixo e muito baixo.

Os três países europeus com um maior fosso de género são Malta (63 pontos), Albânia (55 pontos) e Turquia (45 pontos). Dos 168 países avaliados pelo GEI, estão em pior situação, de um ponto de vista global, a República Democrática do Congo (29 pontos), Niger (26 pontos), Chade (25 pontos), Iémen (24 pontos) e o Afeganistão (15 pontos).

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