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FOCUSSOCIAL

Uma pausa com...Leonor Teles

Leonor Teles, a mais jovem realizadora a receber um Urso de Ouro

“Sobrevivemos, não vivemos”

Todos nos lembramos do brilho feliz da incredulidade nos seus olhos. Sorriso aberto, muito jovem, Leonor Teles, realizadora, recebeu um Urso de Ouro pelo documentário “Balada de um Batráquio”. Foi no 66º Festival de Berlim. O filme aborda, a partir dos sapos de louça que muitos estabelecimentos comerciais exibem nas suas montras ou à entrada da porta, a xenofobia que existe em Portugal contra a etnia cigana.  
Já disse por diversas vezes que gosta de observar as pessoas a divertirem-se com os seus filmes. Apesar disso, a mensagem do documentário “Balada de um Batráquio” é muito séria. Filha de pai cigano, Leonor Teles já foi distinguida noutras ocasiões: na Competição Nacional do IndieLisboa, com uma menção honrosa, e quando apresentou a sua primeira curta, Rhoma Acans, no festival de Vila do Conde, conquistando o prémio Take One!. Este urso que ganhou e que mais parece um cavalo alado, pois leva-a a viajar imenso é, sem sombra de dúvida, uma importante distinção do seu trabalho, mas também um forte motivo para se falar dos malefícios da xenofobia e de todos os outros preconceitos.

Leonor Teles

Balada de um Batráquio ganhou um Urso de Ouro para melhor curta metragem no    Festival Internacional de Cinema de Berlim 2016. Desde então, o que mudou na sua vida?
Tenho viajado imenso.

Tem 23 anos, é a mais jovem realizadora de sempre a receber este prémio. Qual foi a sua maior surpresa em todo este processo?
A ótima receção do filme por parte do público e o facto de ter estreado comercialmente em Portugal. E, claro está, o urso.

Para além da xenofobia contra os ciganos, que mais preconceitos a incomodam?

Qualquer preconceito que cometa injustiças contra os seres humanos incomodam-me. Basta ver dois minutos de telejornal...

E projetos novos?

Ainda em formação.

Neste momento, o que lhe apetece aplaudir?

O esforço de todos os jovens que trabalham em áreas artísticas e arriscam tudo por aquilo em que acreditam e conseguem fazer trabalhos incríveis, muitas vezes e infelizmente, com pouco meios.

E, aos seus olhos, o que merece uma grande vaia?

Este estilo de vida que todos nós andamos a viver – sobrevivemos, não vivemos.

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