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FOCUSSOCIAL

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável visam mundo melhor

por Marta Vaz

Urge o compromisso de todos e de cada um
Transformação exige realismo, empenho e mudanças reais
Não é nada fácil! Mas é possível.

Não podemos cair nem em pessimismos nem em otimismos. É sensato, talvez, pensarmos um pouco como William G. Ward e acreditarmos que mais do que “nos queixarmos do vento ou esperarmos que ele mude”, o mais realista, “é ajustarmos as velas”. E, de certa forma, é o que estão a fazer todos aqueles que estão absolutamente comprometidos, quer a título individual, quer coletivo, com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nesta agenda universal, aprovada a 25 de Setembro de 2015 por 193 estados da ONU, estão coligidos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e delineadas 169 metas.

Recentemente, um relatório da ONU pediu esforços acelerados para alcançar os ODS. “Se o mundo quiser erradicar a pobreza, enfrentar as mudanças climáticas e construir sociedades pacíficas e inclusivas para todos até 2030, são necessários mais esforços para desenvolver esse progresso”. A informação consta de um documento apresentado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nova Iorque, durante um fórum político decorrido em julho.

Este mudar o mundo, está visto, requer uma mudança individual, de cada cidadão. Por muito que cumprir os 17 ODS nos possa parecer algo, numa primeira leitura, apenas da esfera do poder político. Não é. Passa também pela consciência de cada um, de cada pessoa que se inteire e assuma essa responsabilidade no seu gesto singular do quotidiano. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento sustentável assenta, de forma geral, em três pilares: económico, social e ambiental.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável visam mundo melhor

Só agindo em diversas frentes se conseguirá acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas. Enfim, cuidar. Trabalhar para que o ser humano tenha uma vida digna, enquanto habitante de um planeta, também ele, a exigir cuidados.

E todos gostamos de pensar que o mundo está sintonizado nesta ideia carregada de bonomia a pedir a união de todos e de cada um; a junção inequívoca de esforços de países, governos, organizações não-governamentais, sociedade civil.

Depois dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, lançados em 2000, que levaram a progressos significativos mas insuficientes, a ONU lançou novo desafio pós-agenda 2015, altura de fazer balanço e traçar novo rumo. É certo que a pobreza global diminuiu; mais crianças do que nunca frequentam a escola primária; as mortes infantis caíram drasticamente; o acesso à água potável expandiu-se; o investimento no combate da malária, HIV e tuberculose salvaram milhões de pessoas. Isto para dizer que os atuais ODS tem, um enquadramento coerente, fruto de trabalho desenvolvido anteriormente. Houve inúmeras contribuições para a agenda – em especial os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável –, propostas por um grupo de trabalho da Assembleia Geral da ONU, através de um relatório do comité intergovernamental de especialistas em financiamento para o desenvolvimento sustentável.

Baseado na experiência de duas décadas de prática de desenvolvimento e a partir de contribuições obtidas através de um processo aberto e inclusivo, o relatório “O Caminho para a Dignidade em 2030” apresentou um mapa com o objetivo de alcançar a dignidade nos próximos 15 anos. Ban apresentou formalmente seu relatório em janeiro de 2015 para os Estados-membros da ONU.

A ONU foi ainda facilitadora da  conversa global sobre a agenda de desenvolvimento pós-2015, apoiando diversas ações, nomeadamente a  pesquisa “Meu Mundo”. Também teve a responsabilidade de apoiar os Estados-membros, fornecendo ajuda baseada em evidências, análises contextuais e experiência de campo.

Recentemente líderes de mais de 70 países debateram os progressos e desafios da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Agora, António Guterres, vem mostrar, com este último relatório que há monitorização. Que há atenção. “A implementação começou, mas o tempo está passando”, afirmou Guterres. “Este relatório mostra que a taxa de progresso, em muitas áreas, está a ser mais lenta do que o necessário para atingir os objetivos até 2030.”

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável visam mundo melhor

Foi revelado que os avanços realizados na implementação dos ODS apesar de, em muitos casos, o progresso global ter sido evidente, foi desigual nos países e regiões visadas. Além disso, os avanços foram considerados insuficientes em diversos objetivos.
Por outro lado, o relatório anual sobre os ODS fornece uma visão geral dos esforços de implementação, feitos até agora, destacando áreas de progresso e áreas onde são necessárias mais ações que garantam que ninguém fica para trás.

Os números, relativos às diversas esferas de intervenção, comtempladas pelos ODS podem ser consultados nos relatórios que representam um grande desafio para os sistemas estatísticos nacionais e internacionais. Pois seguir de forma eficaz o progresso em relação aos ODS requer dados acessíveis, e confiáveis.

Embora a disponibilidade e a qualidade dos dados tenham melhorado ao longo dos anos, a capacidade estatística ainda precisa ser fortalecida em todo o mundo. A comunidade estatística global está trabalhando para modernizar e fortalecer sistemas para abordar todos os aspetos da produção e uso de dados para os ODS.

O Relatório ODS 2017 baseia-se nos últimos dados disponíveis sobre os indicadores selecionados, elaborados pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA) com contribuições de um grande número de organizações internacionais e regionais.

Para já interessa reter que o progresso é desigual (e um tanto lento) e não se pode baixar os braços. De forma nenhuma. Se não vejamos, por alto, alguns pontos reveladores de que os benefícios do desenvolvimento não são igualmente distribuídos. Em média, as mulheres passaram quase o triplo da quantidade de tempo no trabalho doméstico e no trabalho não remunerado, em relação aos homens, segundo os dados de 2010 a 2016.

No que respeita aos riscos naturais as perdas económicas atingem, agora, uma média de 250 a 300 bilhões de dólares por ano, verificando-se, nos países pequenos e mais vulneráveis, um impacto desproporcional. No que reporta ao desemprego, apesar de a taxa global cair de 6,1% (em 2010) para 5,7% (em 2016), os jovens eram quase três vezes mais propensos do que os adultos a estar sem emprego.
Em 2015, 85% da população urbana usava serviços de água potável administrados de forma segura, em comparação com apenas 55% da população rural.

A sede das Nações Unidas foi, no passado 18 de julho, palco da apresentação do “Relatório nacional sobre a implementação da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”. O documento “consubstancia a revisão nacional voluntária do processo de implementação da Agenda 2030, resultado de um esforço de coordenação interministerial e de consulta pública, espelhando a perspetiva nacional sobre cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, identificando prioridades e desafios, políticas e iniciativas concorrentes para a prossecução da Agenda 2030, e partilhando boas práticas e medidas nacionais com o mundo”.

Os ODS devem ser implementados por todos os países do mundo durante os próximos 15 anos, até 2030.

MV

Fonte de informação e imagens:  https://nacoesunidas.org

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