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FOCUSSOCIAL

Turismo Inclusivo

Independência, equidade e igualdade não vão de férias!

Já ouviu falar de turismo acessível, turismo universal, turismo inclusivo ou turismo sem barreiras? Quase de certeza que sim e, provavelmente, irá ouvir falar cada vez mais porque, cada vez mais, a sociedade atual se revela atenta a estas questões.

Este turismo, de características bem específicas, pode ser definido como “a fruição da atividade turística (produtos, serviços e ambientes turísticos), que é acessível a todas as pessoas, com deficiência ou não, e que inclui todos aqueles que possam apresentar temporariamente ou permanentemente limitações de mobilidade, de audição, de visão, cognitivas e psicossociais, de forma independente e com equidade e dignidade”. 

No passado mês de março, o Turismo de Portugal lançou, o Manual de Gestão de Destinos Turísticos Acessíveis, produzido em parceria com a European Network for Accessible Tourism (ENAT) que visa apoiar os gestores turísticos a trabalhar o tema da acessibilidade na estratégia de desenvolvimento dos seus destinos, acrescentando assim uma nova dimensão competitiva à sua oferta.

O manual, com cerca de 200 páginas, é de fácil consulta e disponibiliza muitos exemplos nacionais e internacionais de boas práticas, constituindo uma ferramenta de gestão, que fornece orientação concreta sobre “o porquê” e “como” os gestores podem desenvolver destinos turísticos acessíveis a todos.

“Ao aumentar as competências dos gestores de destinos sobre as questões da acessibilidade, não só se beneficiam os visitantes mas também se acrescenta competitividade às empresas turísticas e a Portugal”, defende-se no documento que aborda temas tão distintos como, por exemplo, mercado do turismo acessível na Europa, planeamento de um destino turístico acessível, apoios às empresas, experiências de turismo, serviço ao cliente, formação, marketing e monitorização.

Novo programa “All for All “ direcionado ao turismo inclusivo

A Estratégia Nacional para o Turismo (PENT revisão 2013-2015)
estabeleceu um Plano de Ação para tornar Portugal um destino acessível a todos.
Foram desenvolvidas diretivas estratégicas para promover a criação de condições de acolhimento de turistas com necessidades especiais nos serviços turísticos, nomeadamente no alojamento, entretenimento, restauração, entre outros setores.
Nos últimos três anos o Turismo de Portugal promoveu uma série de iniciativas para estimular e apoiar os destinos e os prestadores de turismo nos seus esforços em criar e melhorar os serviços para este mercado em especial.

O novo programa “All for All – Portuguese Tourism” do Turismo de Portugal, lançado em 2016, prevê a implementação de ações integradas para destinos turísticos acessíveis, como espaços de cultura e lazer, praias, transportes e espaços públicos; o desenvolvimento da formação e de ações de sensibilização entre agentes e entidades turísticas e públicas; a disponibilização de informação sobre a acessibilidade das infraestruturas e dos serviços na comunicação promocional dos destinos.

O programa “All for All” dá, desta foram, um sinal importante aos destinos e empresas portugueses de como a acessibilidade melhorada pode desempenhar um papel fundamental no futuro da estratégia do turismo nacional. Além disso, contempla uma
linha de apoio financeiro para empresas e entidades públicas, que disponibiliza cinco milhões de euros em subvenções.
No canal dedicado “All for All”, no site do Turismo de Portugal, são disponibilizados conteúdos técnicos e casos de boas práticas, dirigidas a todos os agentes públicos e privados que pretendam tornar a sua oferta acessível. Para isso, há também uma linha de apoio para o financiamento de projetos empresariais (empreendimentos turísticos, restaurantes, animação turística, agências de viagem) e de entidades públicas (municípios, entidades regionais de turismo e outras entidades sem fins lucrativos) físicas e de serviço de modo a qualificar a oferta. O apoio financeiro é de 90% do investimento considerado elegível, até ao limite de 200 mil euros por projeto.
Este canal de financiamento está aberto até ao próximo dia 31 de dezembro, para a realização de adaptações

Criar um destino turístico acessível e inclusivo exige
Vontade política e conhecimento

O fundamento de qualquer estratégia de turismo acessível é a decisão política de criar um destino turístico acessível e inclusivo para todos os visitantes. Esta decisão deve ser acompanhada por objetivos, planos e ações concretas de modo a estabelecer uma estratégia adequada e orientar o desenvolvimento futuro.
As decisões ao nível do destino são inevitavelmente influenciadas pelas políticas nacionais e regionais, não só no campo do turismo, mas também de setores relacionados, como o planeamento e desenvolvimento do território, os transportes, o património, entre outros.
De modo a respeitar as necessidades das pessoas com deficiência ou com necessidades especiais, a acessibilidade deve ser entendida como um assunto “transversal” que requer o envolvimento de todos os setores.
A qualificação da acessibilidade nos destinos não é uma decisão meramente técnica. Ser capaz de atender o mercado do turismo acessível requer uma abordagem estratégica e holística que implica a análise de vários fatores e pressupõe que as práticas de gestão e prestação de serviços estejam em linha com essa nova política. No fundo, vários intervenientes e parceiros devem trabalhar conjuntamente em novas formas de construção e promoção de um destino acessível, inclusivo e sustentável.

Em Portugal há já bons exemplos de um turismo que atua na senda destas orientações, valorizando as boas práticas do turismo universal.  Visit Funchal uma página dedicada ao itinerário acessível que já distinguiu aquela cidade. Aliás, a Comissão Europeia, premiou o Funchal  com uma menção honrosa do “Access City Award 2016” pela “melhoria da acessibilidade para idosos e deficientes e pelo compromisso de continuação desse trabalho num contexto geográfico difícil.
O Funchal, apesar do terreno vulcânico, assegurou que as praias, locais turísticos, táxis, hotéis e espaços públicos sejam acessíveis, para que os moradores e visitantes com deficiência tenham as mesmas oportunidades para desfrutar das suas férias.

A cidade britânica de Chester foi a vencedora do Access City Award, escolhida entre 43 cidades de 21 países da União Europeia.

Nos Açores, há também um projeto dedicado ao turismo inclusivo. A Cresaçor em parceria com a Associação de Juventude de Candelária tem, desde 2005, um projeto   - “Turismo para Todos” -  que consubstancia conceitos de Turismo Social, Turismo Solidário e Turismo Inclusivo, por entender que “entre as diversas formas de exclusão social encontra-se, também, o acesso ao lazer e turismo pelos mais desfavorecidos economicamente e por pessoas com necessidades especiais”.
Em setembro de 2014 a Cresaçor abriu a Agência para Turismo Inclusivo e Cultural, uma parceria que dinamiza o Posto de Ecoturismo Eco-Atlântida nas Sete Cidades, promovendo as atividades turísticas e de lazer adaptadas a públicos com necessidades especiais e públicos institucionalizados, habitualmente, excluídos do acesso ao turismo. Com estes cuidados são, ainda, promovidas atividades que contam com percursos pedestres e de BTT, observação da flora e aves, passeios de canoa e jipe.

Turismo Inclusivo

Itinerários Turísticos Acessíveis

Foi criado um novo espaço dedicado ao turismo acessível no canal Visitportugal.com, onde já estão disponíveis vários itinerários turísticos acessíveis de 5 cidades de Portugal continental e ilhas. Cada itinerário identifica o percurso aconselhado para as pessoas com mobilidade condicionada, bem como os pontos de interesse turístico que podem ser visitados, referindo as condições de acessibilidade de cada um. Este trabalho foi desenvolvido pelo Instituto das Cidades e Vilas com Mobilidade, com vista à criação de itinerários turísticos acessíveis, identificando os percursos existentes nos centros históricos, com a indicação das condições de acessibilidade dos pontos de interesse turístico.

O projeto “Itinerários turísticos acessíveis de Portugal” para além de ter como objetivo o aumento do turismo no país, quer explorar o segmento de mercado das
pessoas com mobilidade reduzida; melhorar a qualidade das experiências
turísticas em Portugal; tornar acessíveis os principais destinos turísticos nacionais; analisar o Espaço Público e os Pontos de Interesse Turístico (POI) das cidades; identificar os percursos acessíveis e analisar as condições de acessibilidade dos POI;

O grupo das pessoas com necessidades especiais, a quem estes roteiros são dedicados, “incluí, não só, as pessoas com deficiências permanentes, assim como as pessoas com incapacidade temporária e os idosos, obesos, as famílias com crianças, pessoas com alergias, tanto quanto todos os turistas que por diversas razões vêm a sua mobilidade reduzida”.

Aproximadamente “200 milhões de europeus constituem o segmento de mercado do turismo acessível, se contabilizarmos que cerca de 50% das pessoas com mobilidade reduzida viajam acompanhadas”.

Um dos exemplos que é fornecido no manual que referimos, dá a conhecer uma iniciativa levada a cabo no Reino Unido no âmbito do Dia da Acessibilidade para Deficientes, uma iniciativa surgida em 2015, em “terras de Sua Majestade”. Teve por objetivo encorajar as pessoas com deficiência a fazerem coisas que normalmente não fazem, como por exemplo, sair para tomar um café, ir ao cinema ou visitar um museu.

O Dia é promovido como "uma oportunidade única para que transportes, empresas e destinos turísticos mostrem a sua acessibilidade e deem as boas-vindas a pessoas com deficiência. É também uma ótima maneira para que as empresas ganhem mais sensibilidade e confiança, experimentando coisas novas e envolvendo-se com pessoas com deficiência.”

Londres tem, ainda, um guia que dá atenção a estas e a outras questões da esfera do turismo universal, que quer os turistas independentes.

O desing que tem tudo a ver com todos

Como se percebe “todos” é a palavra de ordem quando se trata de inclusão. Mesmo no turismo. Daí, também, a importância do design. O desenho é fundamental. Quer se trate do mobiliário urbano como de todas as “peças” que fazem parte dos locais onde há turismo e turistas. São inúmeros. Museus, monumentos, aeroportos, restaurantes e cafetarias, vias e equipamentos. Enfim, por aí fora.

O Desenho Universal, nascido nos Estados Unidos da América, consiste na conceção de produtos e ambientes para utilização por todos, na maior abrangência possível, sem necessidade de grandes adaptações ou design especial. O seu objetivo é simplificar a vida a todos, tendo como público-alvo essa panóplia de seres humanos tão distintos, qualquer que seja a idade, morfologia ou capacidades.

O conceito de Design Universal está relacionado com a ideia de um design inclusivo. “Significa, portanto, uma maior preocupação na conceção e na criação  de produtos, serviços e ambientes para que possam ser usados por todas as pessoas, independentemente da sua idade, das suas capacidades ou das suas condições de saúde. No entanto, não tem por base a realização de complicadas adaptações nem designs especiais.

Na Europa, é denominado Design For All. E há um organismo onde o assunto é amplamente abordado. O Desenho Universal é o meio para criar produtos, serviços e ambientes confortáveis, sustentáveis e seguros onde a intuição e o senso comum estão marcadamente presentes. Está bom de ver, nos sete princípios que ajudam a compreender bem a importância do design quando se fala de turismo inclusivo. O primeiro princípio fala da “utilização equitativa”. O “design é útil e comercializável para pessoas com diferentes capacidades. A flexibilidade na utilização fala-nos do “design que engloba uma ampla variedade de preferências e capacidades individuais”. A “utilização simples e intuitiva”, remete-nos para o uso fácil independentemente da experiência do utilizador, dos seus conhecimentos, das suas competências linguísticas ou os seus níveis de concentração. O quarto princípio aborda a “Informação percetível”: o design comunica eficazmente a informação necessária ao utilizador, independentemente das condições ambientais ou capacidades sensoriais do utilizador. “Tolerância para o erro”, é outra das premissas, pois visa que o projeto minimize os riscos e as consequências adversas de ações acidentais ou não intencionais. Depois, temos de ter, ainda, em conta o “baixo esforço físico”, sendo que aqui o design “pode ser utilizado de forma eficiente e confortável e com um mínimo de fadiga”. Por fim, o sétimo princípio, remete para “tamanho e espaço para aproximação e uso” facilitando aproximação, alcance, manipulação e uso, independentemente da morfologia do corpo do utilizador, postura ou mobilidade.

+ info: www.turismodeportugal.pt

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