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FOCUSSOCIAL

A jogar é que se aprende!

Jogo dos Direitos disponível gratuitamente para todas as crianças

“O Jogo dos Direitos” é gratuito e foi pensado para informar as crianças sobre os seus direitos e deveres enquanto cidadãos e cidadãs. Mas, de um modo geral, é um jogo que visa contribuir para a um maior conhecimento sobre os direitos – da Convenção dos Direitos das Crianças e da Declaração Universal dos Direitos Humanos - por parte da população adulta e da comunidade em geral. Foi dinamizado pelo Núcleo Distrital de Braga da EAPN Portugal e a FocusSocial falou com Isabel Amorim, a socióloga da EAPN Portugal que acompanhou todo o processo. O Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho colaborou na revisão dos conteúdos, mais precisamente das perguntas e respostas. Pode ser jogado por duas pessoas ou por equipas. A ganhar, estamos certos, ficam todos.

Como surgiu a ideia de criar “O Jogo dos Direitos”?  

A ideia surgiu no âmbito do grupo de trabalho interconcelhio Infância e Juventude, dinamizado pelo Núcleo Distrital de Braga da EAPN Portugal que reúne um conjunto de associados e parceiros. As atividades foram propostas pelos parceiros e concertadas entre todos, atendendo à sua pertinência para a prossecução dos objetivos do grupo que têm incidido, de forma genérica, na promoção da educação para a cidadania. Após acordo e planeamento das atividades, todos – parceiros e destinatários - foram envolvidos na concretização, com base na partilha de responsabilidades e tarefas. A promoção dos direitos humanos, das crianças e das pessoas com deficiência são objeto do nosso atual trabalho.

Quais são os objetivos desta iniciativa?

Por um lado, informar as crianças sobre os seus direitos e deveres enquanto cidadãos e cidadãs. A preparação, formação cívica das crianças é fundamental. Todos a reconhecem. Apostar na formação dos mais novos permite-nos antever uma nova geração mais preparada, conhecedora, atenta às questões sociais e mais interventiva em termos cívicos. Por isso, além dos direitos, os conteúdos (perguntas/ respostas) do jogo também remetem para questões prementes da sociedade, tais como a diversidade étnica e cultural, as desigualdades sociais e a igualdade de oportunidades, a igualdade de género, a participação cívica, a preservação do ambiente, a prevenção da violência nas escolas (bullying) e na comunidade, a prevenção dos maus-tratos na infância, as acessibilidades e a deficiência, o combate à discriminação, entre outros temas.

Por outro lado, embora destinado às crianças, este jogo também contribui para a sensibilização e um maior conhecimento sobre os direitos – da Convenção dos Direitos das Crianças e da Declaração Universal dos Direitos Humanos - por parte da população adulta e da comunidade em geral.

EAPN Focussocial online

Isabel Amorim, socióloga da EAPN Portugal

Como se desenvolveu todo o processo de trabalho, sendo fruto de uma parceria com diversas instituições?

Primeiro definimos as tarefas, os meios e os cronogramas. Cada entidade parceira dinamizou sessões de trabalho com o seu grupo de crianças.A fase de construção das perguntas e respostas envolveu cerca de 50 crianças, através de metodologias participativas, num conjunto alargado de sessões de trabalho. Nestas, através da reflexão, as crianças foram apresentando propostas, dúvidas e questões e foi-se construindo o jogo. O seu pensamento crítico e criativo permitiu chegar às questões que deveriam constar e, em conjunto com as crianças e todos os envolvidos, foram-se construindo as perguntas e as respostas. Os conteúdos do jogo apresentam particularidades na medida em que refletem a visão, o entendimento e as necessidades de conhecimento por parte das crianças, com base nas suas experiências e contextos de vida, em boa parte desfavorecidos. Depois, passámos à fase de experimentação do jogo que abrangeu outras crianças que não participaram na elaboração dos conteúdos. Mediante a utilização de um guião, foi possível registar e constatar as aprendizagens adquiridas por parte destas crianças depois de jogar e identificar as alterações necessárias. E fizemo-las. Levou tempo. Durante todo o processo, o Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho colaborou no reajuste e revisão dos conteúdos e o trabalho gráfico foi-se desenrolando através da colaboração de um designer.  

Na sua construção a participação de cerca das crianças foi, de certa forma, um teste ao público alvo. Qual foi o retorno? Quer exemplificar?

Na fase de construção do jogo, ou seja, de realização das sessões, foi possível perceber as necessidades de conhecimento por parte das crianças, e atender às suas dúvidas, às suas questões. O melhor retorno foi perceber que este este jogo pode ser útil e contribui para a formação cívica das crianças, na medida em que promove o conhecimento sobre os direitos humanos em geral e das crianças, em particular,  o desenvolvimento de valores associados à cidadania (solidariedade, tolerância, respeito, participação, responsabilidade individual e coletiva, e outros) e, assim, o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e relacionais, ou seja, soft skills essenciais, como, por exemplo,  comunicação, ética, pensamento crítico, motivação e trabalho em equipa, que seguramente têm efeitos positivos na construção da sua personalidade e bem-estar, na infância e na vida adulta, nos planos pessoal, familiar, profissional e social.

Quais são os conteúdos do jogo e qual o mecanismo para jogar. Duas pessoas podem jogar ou são precisas mais?

Sim, podem só duas pessoas. Ou mais. Também pode ser jogado em equipas, o que confere outra dinâmica ao jogo.

Sabemos que o jogo foi experimentado em contextos socioeducativos. Quais?

Foi sobretudo experimentado em contextos educativos, de apoio aos alunos, respostas sociais e projetos de desenvolvimento comunitário (CLDS 3G, projeto no âmbito do Escolhas 6G) das entidades parceiras associadas. Também houve a participação de uma Escola Básica de 1º Ciclo. Gostaríamos de ter envolvido mais escolas na construção do jogo, mas este trabalho demorou muito tempo a fazer. Contudo, integrando-se na Iniciativa nacional da EAPN Portugal “Escolas contra a pobreza e exclusão social”, acreditamos que este jogo é uma mais-valia para os professores e as escolas. Podemos dizer que este trabalho reflete uma parceria entre o setor social e o setor da educação, no seguimento de idênticos objetivos, como a formação cívica.

Qual foi o papel do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho?

Colaborou na revisão dos conteúdos, mais precisamente das perguntas e respostas. Foi fundamental a sua colaboração em termos de conhecimento especializado sobre a temática, permitindo imprimir qualidade técnica ao jogo.

Como se procede para o adquirir? É gratuito?

Sim, é gratuito e os materiais estão disponíveis para impressão, no site da EAPN Portugal.

Ficha técnica do Jogo:

Edição: EAPN Portugal/ Núcleo Distrital de Braga;

Parceiros:
ACAPO – Delegação de Braga;
Associação de Fomento Amarense – RLIS;
Associação Gerações; Associação de Moradores das Lameiras;
Associação Valoriza - CLDS 3G Valor Humano;
Centro Cultural e Social de Santo Adrião - Projeto T3tris 6G, no âmbito do Programa Escolhas;
EAPN Portugal/ Núcleo Distrital de Braga;
Fundação Bomfim;
Universidade do Minho – CIEC

Revisão dos Conteúdos: CIEC- Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho.

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