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FOCUSSOCIAL

Um pausa com... Paulo Duarte

Fotografia: Marta José - Dreamaker

Nota biográfica

Paulo Duarte,sj. (1979 - Portimão) - Jesuíta, padre, coordenador da pastoral e professor no Colégio das Caldinhas (Sto. Tirso). Licenciado em Filosofia (Faculdade de Filosofia – UCP/Braga) e em Teologia (Facultad de Teología – UPComillas/Madrid), mestre em Teologia Fundamental (Centre Sèvres/Paris) com a tese "Tomorrow shall be my dancing day - pistas para um estudo teológico da dança e do corpo". Interesses de estudo e investigação relacionados com a Humanidade, no contributo da busca de sentido e reconciliação, a partir de questões como a corporeidade e a arte, pela dança, relacionando com a espiritualidade, pedagogia e acompanhamento.

São muitas as pessoas que acompanha diariamente: em aulas, em conversas, em celebração de missa e reconciliação. Também a presença nas redes sociais, de onde sai a inspiração para “Deus como Tu”, e ocasionalmente em programas televisivos permite que viva uma comunicação mais ampla com a sociedade actual.

Excerto

O QUE FAÇO AQUI?

Suspiro e penso “Que andamos aqui a fazer?”. Que ando aqui a fazer? Não, não se limita à pergunta existencial, filosoficamente talhada para um ensaio ou registo de argumentos políticos. “Que andamos aqui a fazer?” é das perguntas que exigem reflexão por carregar nuances de muitos acontecimentos.
É difícil, muito difícil, pensar e viver o justo nos tempos que correm. Na era da informação, onde tudo se sabe, instala-se o “está mal, porque não me dá jeito”, entrando ou pela opinião "porque-sim" ou pela crítica fácil onde a memória se vai desvanecendo para o canto sombrio da existência. Dói estudar História, Sociologia, Antropologia, Filosofia, Literatura e, sim, Teologia, adquirindo a gramática ou o esqueleto da reflexão. O comunismo fez mal, o socialismo fez mal, a monarquia fez mal, o fascismo fez mal, a república fez mal: o poder da falta de liberdade faz sempre mal. Ela constrói-se entre perder e ganhar, saindo de si.
Consegue-se democracia onde os que perdem ganham força para denunciar as injustiças dos que ganharam. Se a força tem como base o rancor, o ódio, a ânsia de proveito próprio, apesar de a letra mudar dá-se o virar de disco a tocar a mesma música. Se a força tem como base o querer dar vida ao outro, colaborativamente, já não interessa a competição, mas a vontade de que todos, mais que vencedores, sejam o que são. Talvez aí deixe de ser necessário emigrar, fugir, refugiar-se.
“Que andamos aqui a fazer?” Da minha parte, a deixar-me “ser do tamanho do meu sonho”. E saindo de ilusões, a ajudar como posso aqueles que me são confiados a ser gente livre, para além da raça, da cor, do sexo, do credo, do dinheiro, da nação.

Deus como Tu

CONVITE

Depois de Lisboa e Braga, “Deus como tu” (Matéria-Prima Edições) será apresentado no Porto. À conversa sobre o livro estarão o autor, Paulo Duarte,sj; Pedro Nogueira, arquiteto paisagista e investigador no CIBIO InBIO; e Marta Duque Vaz, licenciada em antropologia e jornalista.
A tertúlia terá lugar no CREU-IL (Centro de Reflexão e Encontro Universitário - Inácio de Loyola), no Porto,  dia 11 de Julho às 21h15. Aceite o nosso convite e junte-se a nós.

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