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FOCUSSOCIAL

Pausa com… Maria José Vicente

Maria José Vicente

Licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Maria José Vicente integra a equipa técnica da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, há dez anos. O seu trabalho tem-se centrado na conceção, desenvolvimento e avaliação de projetos nacionais e transnacionais subordinados à pobreza e exclusão social. Atualmente integra o Gabinete de Desenvolvimento e Formação daquela organização e prossegue o seu trabalho como formadora e investigadora, nomeadamente nas comunidades ciganas. Tem dedicado a maior parte do seu trabalho a esta população e à sua inclusão, nos vários domínios de intervenção (educação, emprego, habitação e saúde).

As Comunidades Ciganas e a saúde: um primeiro retrato nacional

As comunidades ciganas constituem a minoria étnica mais numerosa da União Europeia, vivenciando situações de pobreza e de exclusão social. Neste sentido, é importante o reconhecimento e a promoção da sua cultura, o combate à discriminação directa e indireta que padecem, o fim da imagem social negativa que lhes é atribuída, assim como a escassa sensibilização do conjunto da sociedade. Todas estas são questões centrais que nunca foram verdadeiramente abordadas e que influenciam o bem-estar e a qualidade de vida destas comunidades.

A saúde é uma das principais necessidades sociais básicas e, como tal, um dos direitos fundamentais, desempenhando um papel central nos processos de exclusão/inclusão social, na medida em que a saúde é um elemento integrador para aceder a outros recursos, serviços e direitos. Apesar da sua grande visibilidade, as condições de saúde das comunidades ciganas não são “sustentadas” por dados estatísticos fiáveis e objetivos, visto que não existe até ao momento estudos sobre esta temática 1 em Portugal. Neste sentido, foi desenvolvido um diagnóstico a nível nacional referente à situação de saúde destas comunidades, no âmbito do Projecto As Comunidades Ciganas e a Saúde: análise da situação europeia2 (2007-2009), financiando pela União Europeia – PHEA – Agência Executiva de Saúde Pública. 

De forma a concretizar este diagnóstico, o trabalho de campo consistiu na administração de um questionário a um conjunto de famílias distribuídas pelo território nacional. É importante termos presente como premissa fundamental que a informação existente acerca destas comunidades em Portugal é bastante deficitária, impossibilitando a construção de uma amostra representativa de um universo que, de facto, se desconhece. Assim, foram aplicados 367 questionários (164 homens e 203 mulheres), tendo como universo total – 7 154 famílias

Assim, esta publicação pretende, de forma sistematizada, apresentar as principais conclusões do diagnóstico tendo por base três níveis de análise: o estado de saúde das comunidades ciganas; a utilização dos serviços de saúde e os estilos de vida. Identifica, igualmente, as reais necessidades das comunidades ciganas neste domínio e a apresentação de recomendações de ação. As recomendações definidas propõem influenciar o desenvolvimento de medidas, conduzindo a uma redução das desigualdades de saúde que as comunidades ciganas enfrentam e promovendo a sua efetiva inclusão social. 


1 Há apenas estudos pontuais referentes a territórios específicos (locais) sem abrangência nacional.

2 Este projecto é desenvolvido pela Rede Europeia Anti-Pobreza no âmbito de uma parceria transnacional: Portugal, Espanha (entidade interlocutora); Roménia, República Checa, Bulgária e Grécia.

3 Não existe um estudo sociológico ou qualquer tipo de aproximação científica a uma caracterização destas Comunidades em Portugal. Se é verdade que muitos estudos foram produzidos sobre as Comunidades Ciganas em Portugal, não é menos verdade que a sua totalidade é parcial e baseada em diferentes metodologias, não permitindo uma visão de conjunto fiável

4 Esta amostra representa aproximadamente 5% do total das famílias identificadas.

 

Maria José Vicente in As Comunidades Ciganas e a Saúde: um primeiro retrato nacional, EAPN Portugal, 2009

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