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FOCUSSOCIAL

Uma pausa com…Patrícia Reis

Fotografia de Carlos Ramos

Patrícia Reis começou a sua carreira jornalística em 1988 no semanário O Independente, passou pela revista Sábado e realizou um estágio na revista norte-americana Time, em Nova Iorque.

De volta a Portugal, é convidada para o semanário Expresso, fez a produção do programa de televisão Sexualidades, trabalhou na revista Marie Claire, na Elle e nos projectos especiais do diário Público. Editora da revista Egoísta, é sócia-fundadora da 004, participando em projectos de natureza muito variada. Publicou a biografia de Vasco Santana, a de Simone de Oliveira e de Maria Antónia Palla.

Escreveu o romance fotográfico Beija-me (2006) em co-autoria com João Vilhena, a novela Cruz das Almas (2004) e os romances Amor em Segunda Mão (2006), Morder-te o Coração (2007), que integrou a lista de 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura, No Silêncio de Deus (2008) e Antes de Ser Feliz (2009), Contracorpo (2012), Tudo o que nos Separa por Causa de um Copo de Whisky (2014) e Gramática do Medo, em co-autoria com Maria Manuel Viana (2015). É autora do blogue Fictiongram com publicação diária no online do jornal Expresso e participa semanalmente no programa da antena 1, A Páginas Tantas, o 15º programa de rádio mais ouvido da RDP.

As Crianças Invisíveis

Um romance ímpar sobre adopção, maus-tratos e abandono. Surpreendente até ao final.

M é uma criança habituada a ser usada e devolvida por famílias sucessivas como um produto que não satisfaz o cliente. Cresce numa instituição de acolhimento, onde vai descobrindo o poder da amizade e as armadilhas do desejo e da paixão. Esta é a sua história até chegar à idade adulta, atravessando um processo de invisibilidade, no qual a dor se confunde com a esperança de encontrar uma vida a que possa chamar sua. Ao seu lado existem outras crianças e ainda Conceição, a assistente social que escolhe amar M incondicionalmente. 

As Crianças Invisíveis é um romance que alia um exercício literário ímpar a um profundo trabalho de investigação sobre o abandono, maus tratos e adopção. Construindo toda a narrativa de uma maneira muito original, sem identificar o sexo das crianças, e a partir do olhar delas, a escrita límpida, poderosa e cirúrgica de Patrícia Reis conduz-nos, neste romance avassalador, através dos sonhos, do medo e da intimidade de um conjunto de personagens que percorrem a infância e adolescência sem pai, nem mãe, nem identidade. 

(…) Há coisas que todos os adultos fazem, talvez por terem engolido as mesmas frases, famílias de palavras que juntas fazem frases que são repetidas exclusivamente pelos adultos. São mais previsíveis do que gostam de pensar. É tudo uma questão de observação e M. é experiente neste capítulo: reter aquilo que vê e ouve.

Perceber os padrões e o que é recorrente. A mulher desta casa, por exemplo, pontua as frases com a mesma expressão: na realidade. Na realidade, diz ela, incapaz de perceber que a realidade, como quase tudo, ou mesmo tudo, é uma construção efémera. Os adultos repetem se, equipamentos similares, as mesmas ideias, sentido de ordem, a impaciência e depois o resto. Por isso, tal como na primeira vez, nada é uma surpresa, porque M. sabe o que vai acontecer, teve um acesso empírico ao guião de vida das pessoas que tem ao seu redor. Sabe coisas que são impronunciáveis, coisas que constroem alertas suficientes. M. sabe coisas e isso não comporta qualquer recompensa. Afinal, quem é que quer uma criança pequena com uma doença ou a saber coisas que possam diminuir a autoridade de quem é crescido?

Ninguém. (…)

Patrícia Reis in As Crianças Invisívei

Uma pausa com… Richard Zimler

 

 

Aceite o nosso convite:

•30 de Maio

89ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA - 19h|Espaço FMS - "Ensaio Geral" com Maria João Costa, em directo na Rádio Renascença

•25 de Junho

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "AS CRIANÇAS INVISÍVEIS"  - 18:30h|El Corte Inglés - 6º Piso/ Apresentação por Laborinho Lúcio

+ info:

 https://www.patricia-reis.com

 
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