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FOCUSSOCIAL

E voluntariado, faz?

Fotografia: Daniel Mordzinski

Chama-se Patrícia Reis, é escritora e editora de uma revista ímpar: a Egoísta. Por Este Mundo Acima (Dom Quixote) é o título do seu mais recente livro, «onde nos é descrito um cenário de terrível desastre que assola a cidade de Lisboa, sendo que, entre os sobreviventes, há um velho editor que procura amigos e amores desaparecidos. Acaba por encontrar um manuscrito e um rapaz e, neles, a porta para uma outra dimensão da vida. Sem dúvida um livro que consagra a amizade como forma de amor e que descreve e realça a importância redentora dos livros.

Patrícia Reis nasceu em 1970 e estudou História e História de Arte na Universidade Nova de Lisboa, e Comunicação Empresarial no Instituto Superior de Comunicação Empresarial. Publicou a novela Cruz das Almas (2004) e os romances Amor em Segunda Mão (2006) e Morder-te o Coração (2007), que integrou a lista de 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura, No Silêncio de Deus (2008) e a novela Antes de Ser Feliz (2009). É ainda autora da biografia de Vasco Santana (2004) e do romance fotográfico Beija-me (2006, em coautoria com João Vilhena)».

A FOCUSSOCIAL quis saber qual a sua experiência com o voluntariado. Para a partilhar, aqui, consigo.

E voluntariado, faz?
Voluntariado no sentido de apoiar causas é um ato que considero importante e faço-o na medida em que me é possível. Como escritora sou, algumas vezes, solicitada para apoiar causas contribuindo com um texto. A última vez que isso aconteceu foi quando o Pirilampo Mágico me pediu um texto, como está a pedir a diferentes figuras públicas. O que importa, neste caso, é alertar para a causa das crianças com dificuldades ou diferenças significativas. Já apoiei a Acreditar, escrevi dois livros infantis cujas receitas reverteram para a Fundação do Gil e na 004, empresa que tenho há 15 anos, todos os anos damos um valor à mesma Fundação, avisando os nossos clientes e fornecedores que demos a prenda de Natal respetiva a quem mais precisa. Julgo que todos apreciam o gesto.

O que a motiva?
A motivação vem de uma ideia que me foi “impressa” no cérebro quando era muito miúda: o melhor do mundo são as pessoas e, sendo diferentes, tendo deficiências físicas ou outras, precisam mais de quem as ajude e ame.

O que fica dessa experiência?
A ideia de que se pode sempre fazer mais. Que não basta encher um saco no Natal para o banco alimentar. Que há lares e centros de dia que precisam de leitores, instituições que precisam de ajuda, de pessoas para dar banhos assistidos, etc. Ou seja, que tudo o que fazemos é apenas um grão de mostarda face ao que podíamos e devíamos fazer. A sociedade tornou-se muito individualista e, através das redes sociais, por exemplo, há quem se sinta satisfeito por clicar num Gosto numa determinada página que defende uma causa específica. Para mim não chega. Preciso de me envolver, de certa forma. Ao mesmo tempo, na esperança de que compreendam o que quero dizer na extensão exata, há neste país a ideia de que podemos “cravar” - perdoem a expressão – aos artistas porque são artistas, porque lhes é fácil escrever, pintar, tocar, mas isso não deveria ser assim. Os artistas, nomeadamente os músicos, são dos mais generosos que conheço e, muitas vezes, contribuem para inúmeras causas e não têm a qualidade de vida que deveriam ter. Porquê? Porque alguém vai piratear o disco ou tirar da net ou não se interessa por ir ouvir e comprar o bilhete. Há inúmeras histórias sobre esta realidade que podem ser contadas e merecem ser ouvidas. Eu sou apenas uma pequena voz.

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