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FOCUSSOCIAL

A marca e o contributo da pessoa idosa na construção de uma sociedade mais livre e humana

A pessoa. Idoso ou Velho?

São várias os nomes (muitos deles potenciadores de vazio, discriminação em sentido negativo, pessimismo e exclusão) que nos habituámos a ouvir para aquele momento da vida que consideramos sublime…a velhice!

Assim, ancião, terceira idade, senil, velho, idoso são alguns desses nomes que, pronunciados, per si, parecem querer significar uma pessoa ultrapassada, secundária, despida de ideias, de ambições e sonhos.

A nossa opção recai para o termo pessoa idosa por ter incorporada em si a centralidade da pessoa humana que é pedra toque dos Direitos Humanos.

Direitos e deveres das pessoas idosas

Todos nós, por sermos parte integrante de um todo que é O MUNDO, devemos fazer este exercício: habituar-nos a olhar, a acarinhar, a sorrir, a tocar e a aceitar o outro, que é mais velho, da mesma forma que olhamos, acarinhamos, sorrimos, e tocamos os bebés e as crianças! A pessoa idosa continua a ter nome próprio, a ser pessoa, não perdeu a sua identidade e individualidade! E traz consigo sabedoria e paz, motivos, diríamos nós, «preciosos e distintos», para continuar a ser admirada e respeitada por todos!!

Na era das novas tecnologias de informação e comunicação tudo e todos são transformados e postos à prova…até mesmo os mais velhos. Começa a desenhar-se um novo papel da pessoa idosa.

A pessoa idosa que outrora era considerada o chefe de família, venerável pela sabedoria acumulada, era alguém que deveria sempre “ser levado” ao médico, aos exames laboratoriais, às compras. Hoje, sobrepõe-se um outro olhar…uma pessoa que quer continuar a ter VIDA! Hoje essa pessoa é incentivada a ter uma vida activa, dinâmica e auto-suficiente, a socializar, a promover e estimular o seu bem-estar, a sua autonomia, o seu sentido de vida e de qualidade de vida!

Idade cronológica

A questão da definição de pessoa idosa a partir da idade cronológica parece ser quanto a nós, um critério de grande utilidade e importância, pela grande centralidade do ponto de vista humano, social, politico, financeiro, económico e fiscal. No nosso ordenamento jurídico, e de acordo com a I Parte do artigo nº20 do DL nº187/2007 de 10 de Maio, reconhece-se o Direito à pensão de velhice a partir dos 65 anos. Mas será a idade ela própria decisiva para eu me considerar pessoa incapaz para trabalhar e manter-me inactiva? Diríamos, em alguns casos sim, noutros não. E se para mim trabalhar é sinónimo de bem-estar, de ser/estar feliz?

Se olharmos atentamente ao nosso redor concluímos que «a velhice» é   uma  fase da vida que para uns começa aos 40 anos, para outros aos 70 e para outros nunca começa, pois continuam a gostar de saborear a vida e de viver, e não aceitam «ser velhos» …«A diferença está na forma de a aceitar como natural».

No Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações também se espera um novo olhar e preocupação por parte dos Estados , e, bem assim, de cada cidadão pela não discriminação da pessoa de idade portadora de valioso recurso humano e social. O Direito dos mais velhos a uma vida condigna que envolve uma melhoria de pensões sociais, por um lado, e o dever de respeito da parte de cada cidadão e do Estado, por outro, são a chave certa para estruturar qualquer sociedade que se quer que seja humana, humanista e democrata. Aliás, “a marca de uma sociedade nobre não reside na forma como protege os poderosos mas no modo como defende os vulneráveis. Investir nas capacidades produtivas e sociais das mulheres e homens idosos sem dúvida produzirá resultados de grande magnitude para todas as idades, em termos de bem-estar comunitário, coesão social e produtividade económica”.

Opinião da Associação Intermediar

Uma «Segunda Infância», uma fase natural da vida…uma realidade sentida por alguns, mas que a todos nos diz respeito.

A própria Declaração Universal dos Direitos do Homem (de 1948),no seu artigo primeiro, estabelece que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

Para isso, é fundamental que nos comprometamos com os valores da responsabilidade e da solidariedade. Mas, que solidariedade? Uma solidariedade como disposição individual e colectiva para a acção e cooperação. Um agir pensado a partir da dignidade.

Devemos sonhar uma sociedade solidária mas não devemos bloquear de tal modo que o ideal nos impeça de agir e fazer o que está ao nosso alcance. Importa, então, que o que fizermos façamos bem! E fazer bem implica-me sempre na relação com o outro tão digno quanto eu.

E para o Homem que naturalmente envelhece é um dever e uma necessidade dedicar atenção séria ao seu próprio Si-mesmo e aos outros.

 

Filipa Nogueira / Filomena Carvalho

Filipa Nogueira / Filomena Carvalho
(As autoras deste texto escrevem de acordo com a antiga ortografia)

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