loading…

FOCUSSOCIAL

Uma pausa com… Paulo José Miranda

Meu nome é Paulo José Miranda. Nasci em 1965, sou poeta, escritor e dramaturgo. Licenciei-me em Filosofia pela Universidade de Letras de Lisboa. Sou membro do Pen Club desde 1998. Vivi em Istambul entre 1999 e 2003, tendo viajado nesse período pelo Mediterrâneo e Médio Oriente. Vivi três meses em Macau, tendo visitado o sul da China. Vivo no Brasil desde Julho de 2005. Vivi seis meses no Rio de Janeiro, dois em São Paulo, um ano em Curitiba, três meses em Rio Grande do Sul (Porto Alegre) e vivo neste momento em Fazenda Rio Grande (Paraná), desde o início do ano.

Publiquei três livros de poesia, seis novelas, uma peça de teatro e um livro de aforismos. O meu primeiro livro de poesia venceu o Prémio Teixeira de Pascoaes em 1997 e a minha segunda novela venceu o primeiro Prémio José Saramago em 1999. Recebi uma bolsa de criação literária do IBL para escrever a minha terceira novela e uma outra da Fundação Oriente, para viver três meses em Macau e escrever a minha quarta novela (inserido no mesmo projecto que levou o escritor brasileiro Bernardo Carvalho à Mongólia e José Eduardo Agualusa a Goa). Colaborei em revistas de vários países e há estudos acerca da minha obra em Portugal, Espanha, França e Brasil. Foram também escritos teses académicas em Portugal e no Brasil, acerca do livro Vício, livro que escrevi com o apoio da bolsa de criação literária do IBL.

Preparei dois longos ensaios, ainda inéditos. Um acerca das relações entre O Primo Basílio, de Eça de Queirós e as Tragédias Gregas (300 páginas), e um outro a primeira parte de um estudo acerca da obra de Fernando Pessoa (240 páginas) que poderá ser publicado em breve.

Em Espanha, na Editorial Periférica, foi já publicada a primeira novela da minha triologia, estando já agendadas as publicação das outras duas novelas. Tanto a primeira novela quanto a segunda (quase a vir a público em Espanha), tiveram o apoio de tradução pelo Instituto Camões.

Tenho sete livros inéditos para publicação, alguns deles já agendados na LeYa / Oficina do Livro, que prepara também a reedição de títulos meus antigos, já esgotados.

Fique com a sinopse do seu livro mais recente:

 

FILHAS

De recorte histórico, esta obra narra a saga dos Oliveira Cabral, uma família de emigrantes que busca nas terras do Sul do Brasil uma vida melhor. Assim, a narrativa constrói-se em torno de dois eixos temporais, os finais do século XVIII e os primeiros anos do século XXI, e tem como núcleo a figura feminina que é peça crucial quer no plano da saga familiar quer no histórico.

É, deste modo, através do feminino que o narrador convida o leitor a conhecer mulheres tão marcantes como a arqueóloga Maria de Fátima que, no século XVIII, não só ousa enveredar pelas ciências como decide viajar de Trás-os-Montes até ao Brasil em busca de uns riscos nas pedras, onde conhece Oliveira Cabral, o ambicioso Chefe da Armação.

Desta relação nasce Antónia que se tornará, contra a vontade do pai, numa acérrima defensora da abolição da escravatura e que acaba por ter com um escravo um filho, António.

A mãe mata-se para poder dar uma vida ao filho, mas este, fraco, torna-se em tudo o que a sua mãe repugnava. Para castigo seu, António tem duas filhas que trata de forma diferente de acordo com a cor. Áurea, aquela que ele tanto amava, torna-se numa ativa independentista e abolicionista.

Ciente da força da sua natureza, casa e, num ato de extravagância, dá início ao clã Almeida Cabral que, com a guerra, regressa a Portugal até à geração de Artur. Estamos então no início do século XXI. Artur é um pai angustiado que tem de educar sozinho a sua esbelta Rafaela e que vive num mundo aprisionado com fantasmas quer da imagem que a filha tem dele, quer da morte, da perda, das grandes dúvidas ontológicas.

Artur é o homem que «devolveu a guerra (e a morte psicológica) à história da sua família. Por causa da imagem de pai perfeito que ele, por ceder à tentação, destruiu, Artur passa a ser um «cadáver fétido, que causa náuseas» e estimula um sentimento de vingança (esta obra!) em Rafaela.

E toda esta trama se passa no tempo de um jogo de futebol, que Artur e seus amigos seguem num botequim perto de casa, através do relato de uma rádio local.

Trata-se também de um livro onde se reflete profundamente acerca da arte do romance e do sentido do sexo entre os humanos.

Enviar por email